Aprendendo sobre capricornianos


Capricornianos precisam dos problemas para ascenderem. É no sofrimento que eles se tornam fortes, reconhecem-se e mudam o que precisam mudar.

Sérios, fechados, frios, reservados e tidos como “corações de gelo”… Capricornianos são aqueles que, quando saem com os amigos, conseguem conversar com todos mas ninguém exatamente sabe de todos os detalhes da vida daquela pessoa. Com aquele famoso humor seco e tiradas sarcásticas inesperadas, eles são bons amigos, bons com conselhos, bons em escutar.

Péssimos em desabafar.

Geralmente são pessoas que nascem em ambientes caóticos ou com péssima base familiar. Famílias problemáticas em um sentido ou outro, a segurança que ele gostaria de possuir, ou seja, a segurança familiar (já que seu oposto complementar é, afinal, câncer) nunca é de fato dada a eles de mão beijada. Como tudo na vida, eles precisam batalhar por isso e para isso.

Podem ser problemas com o pai, problemas com a mãe, problemas com toda a família e isso pode ocorrer em vários aspectos: conheci um capricorniano que possuía problemas com a mãe alcoólatra. Hoje é juiz, pai presente e dedicado e com uma esposa extremamente parceira. Outra, ainda, viveu um relacionamento extremamente abusivo com o pai que, apesar de amá-la muito (e isso realmente dava para perceber), mais de uma vez, chegou às vias de fato em agressão verbal, ameaça e agressão corporal. Por não se abrir, já ouvi a chamarem de ingrata com o amor do pai diversas vezes. Um dia ela me disse que o ama, além de que sempre estaria ali para ele quando ele precisasse dela sempre (porque, afinal, não se esqueçam que é um signo que toma responsabilidades como um soldado, quase), mas que ela não se sentia mais capaz de remendar um relacionamento com ele, ou seja, abrir-se e reaproximar-se.

Eu, como capricorniana, cresci também em um ambiente instável. Minha infância foi ótima, mas, no período da minha adolescência à jovem adulta, ou seja, meu período de formação e consolidação de personalidade, tudo foi um show de horrores… E isso é usar de eufemismo, para ser bem sincera.

Considerando tudo acima, por consequência, capricornianos não se sentem seguros desde mais tenra idade. Tudo é difícil e tudo é hostil. Nesse caso, podem acontecer duas coisas com eles: eles ascendem diante dos problemas (e isso acontece na maioria das vezes, mais cedo ou mais tarde), ou eles afundam em vícios e em depressão ou em mais instabilidade (o que, na verdade, acontece com todos os capricornianos antes de realmente ascenderem, mas a diferença se encontra no fato de que, enquanto uns encontram força dentro de si, outros não conseguem sair da melancolia e da depressão. Esses dois tipos de capricornianos existem).

Brincam direto que é um signo de pessoas fissuradas em dinheiro, mas a verdade é que, vivendo e crescendo em ambientes instáveis, eles aprendem desde cedo que precisam cuidar de si mesmos. Eles precisam se proteger, eles precisam de segurança e, se eles quiserem estabilidade, isso só será alcançado através do seu suor, dos calos em suas mãos e de dormir tarde e acordar cedo, todos os dias, em busca dos seus sonhos. Vivemos em um mundo capitalista e, para alcançarmos a segurança dentro de casa que sonhamos, precisamos de dinheiro. Precisamos trabalhar. Precisamos crescer.

Eles não são coitadinhos sofredores que merecem ser café-com-leite na brincadeira, pelo contrário. Capricornianos, quando se encontram, acabam se tornando pessoas com um nível alto (e até exagerado) de resistência aos problemas. Já ouvi algumas vezes que eu levava não levava algumas situações graves a sério. A verdade é que eu levava, mas eu não podia desviar do foco e, com o tempo, aprendi a colocar o problema no fundo da cabeça sem mover um músculo da face.

E isso é tanto bom quanto péssimo. Bom porque eles conseguem manter o foco mesmo quando o mundo desmorona ao seu arredor; péssimo porque as vezes eles demoram para perceber que é hora de largar o osso e fazer ajustes em algumas coisas. Eventualmente eles aprendem e mudam esse lado péssimo, mas até lá eles acabam levando um mundo nas costas.

Eles crescem nos problemas – e é um desenvolvimento que inspira muita gente. Eles aprendem seus valores de certo e errado na prática, na tentativa e erro; eles mudam jeitos, reconhecem erros, hipocrisias e inadequações em seu comportamento a cada problema que enfrentam e experienciam. Falam que nascemos velhos e morremos jovens, mas a verdade é que ascendemos e mudamos frequentemente. Um capricorniano que você conheceu cinco anos atrás jamais será o mesmo capricorniano de hoje em dia, por mais que você imagine que sim, mediante algumas circunstâncias. Saturno nos é muito exigente e não podemos nos dar ao luxo de nunca melhorarmos.

Por se tornarem independentes demais, dependentes da própria força e resiliência demais, desabafar é horrível para eles; eles se sentem inadequados, sentem que estão fazendo drama, sentem que ninguém quer realmente ouvi-los, sentem até mesmo que não estão fazendo o suficiente. Entendam que eles não nascem assim, (ouço até hoje que “eu era um amor de menina” e que hoje sou um cu), mas eles se tornam assim. Eles precisam se tornar assim.

Mas por mais que eles sejam péssimos em se abrir e não gostem disso… Se você tem um amigo caprica, ou uma pessoa muito querida, você tem um ótimo jeito de ajudá-lo a tornar seus dias mais leves: esteja ao lado dele, demonstre que sua amizade e opiniões são importantes para você.

Muitas vezes vocês não fazem ideia do quanto vocês ajudam apenas por sentar ao lado de um capricorniano e conversar sobre coisas idiotas, não ligadas ao drama que ele vive e sofre em silêncio. Fui melhor amiga de um moço por muitos anos e o momento que eu mais guardo com gratidão no peito foi em uma manhã qualquer, no cursinho, quando ele sentou ao meu lado e conversamos sobre livros e bobeiras. Não nos falamos hoje em dia mas eu sou eternamente grata por isso.

Deixe-o saber da sua presença. Vocês, amigos e familiares próximos, nos ajudam mais do que percebem. Além disso, somos mais gratos e valorizamos vocês mais do que conseguimos falar, também.